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smobile

conceitos sob o ponto de vista do observador

smobile

conceitos sob o ponto de vista do observador

"Que sa mort n'a pas été tout-à-fait naturelle"

"O assassínio, por exemplo, pode ser encarado sob o ponto de vista moral (o que acontece, geralmente, nos púlpitos e na Old Bailey) e é - confesso - o seu lado mais fraco; ou, ainda, ser abordado pela sua face estética, como lhe chamam os Alemães, isto é, em relação com o bom gosto."

QUINCEY, de Thomas, "Do Assassínio como uma das Belas Artes", Lisboa, Editorial Estampa, s.d., p. 11

A Estética do assassínio, debatido por um grupo inglês do século XIX.

 

Mais um grupo de senhores com muito tempo livre entre mãos, de mente muito fervescente, sempre do contra e quiçá, com algum ópio à mistura.

Dada a época, também não será de estranhar que na análise feita aos assassínios de Ratcliffe, e para espanto meu, rapidamente resvalasse para um desfecho tão tipico do XIX:

(o serial killer) "Foi sepultado no centro de um "quadrivium", isto é, na confluência de quatro caminhos (neste caso quatro ruas), com uma estaca espetada no coração. E sobre ele corre hoje o tumulto da turbulenta cidade de Londres." Idem, p. 120

 

Outro exemplo literário de uma época revolucionária mas muito taralhouca (e em muitos aspectos hipócrita) onde se proclama a ruptura e enaltece a Ciência, mas que no fundo é só fachada: todos os seus medos populares continuam enraizados no seu íntimo.

E o mais caricato serem considerações vindas das classes ditas "esclarecidas".

É tudo um logro.

 

 

A-do-ra-va ter uma máquina do tempo para lá dar um salto. :D

 

 

Link para a história dos Ractliffe - 12 capítulos com gravuras de época.

 

edifícios Panópticos: Pavilhão de Segurança

Depois de ver a vídeo-instalação de Javier Téllez, "Rinoceronte de Dürer", filmado no panóptico do Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, fiquei com imensa curiosidade em descobrir aquele espaço.

 

Alguns instrumentos da medicina de outrora podem ser aí vistos, a par de desenhos e histórias na primeira pessoa.

 

 

 

 

Tanto esse punhado de salas como o interior do Pavilhão é austero, extremamente aflitivo provavelmente graças à sua carga psicológica, e opressivo com a sua ausência de som (no interior - no exterior a gélida calma reina ao som de cânticos das aves).

Em poucos locais me senti tão desconfortável. Aqui não me foi possível manter a devida separação do objectivo/ subjectivo, para uma análise o menos emocional possível.
Aliás, foi-me completamente impossível.
É um sitio ao qual dificilmente regressarei, mesmo que com visita guiada (só se for para o Balneário de D. Maria).

Mas é um local impossivel de continuar desconhecido aos demais. Deve ser visitado, conhecido e sentido.

 

 

É surpreendente como que no seio de Lisboa consegue existir um complexo daquelas dimensões, cheo de núcleos, plataformas agrícolas, etc. É gigante.

 

"Da autoria do arquitecto José Maria Nepomuceno, é um dos raríssimos edifícios Panópticos existentes no mundo (vigilância a partir de uma torre central), sistema inventado por Jeremy Bentham em 1787."

 

Informação:
- Pavilhão de Segurança: folha 1, folha 2
- "O Museu do Hospital Miguel Bombarda", Out.10: folha 1
- Exposição "Um Séc. de Pinura de Doentes - Outsider Art": folha 1

 

 

 

 

 

 

 

A Entomologia dos preguiçosos

 

Que têm estes 4 livros de denominador comum?
Inverosimilidade e insectos.
Muitos, muitos insectos.

Excepção ao Escaravelho da Morte onde o protagonista é, felizmente, devorado (em 2 brevíssimas linhas ao contrário de outras situações similares onde a sordidez da cena prevalece), trazendo uma lufada de ar fresco ao género, nos restantes livros, o mote gira em torno de uma rapariga, loira, muito gira, que é salva pelo rapaz, espadaúdo, intrépido e muito giro.

Aqui, gente feia não entra, a não ser para servir de banquete ou representar o vilão. Tudo em torno destas duas figuras é incaracterístico.

Mais informo, que as protagonistas femininas somente ascendem à qualidade de órfãs (coitadinhas) durante o livro, derivado ao repasto efectuado pelas criaturas de 6 patas. Não há lugar para drama familiar nem crise existencial.
Não há tempo: os insectos vêm aí!

 


1) Acautele-se! Existe sempre um cientista louco.

GLUT, Donald F., "A Maldição dos Escaravelhos", Lisboa, Portugal Press, 1979.


Passado nos pântanos de Nova Orleães, um cientista louco usa a ciência para controlar os insectos!
Mete medo? Talvez não. Mas a cena onde o Coronel é agredido (e salvo) pela esposa que sempre fora subjugada por ele, é no mínimo, caricata.
Mais anotações, AQUI.



2) Nas mágicas brumas da Escócia, ouvem-se vozes. Mas só para alguns.
CARTER, Dean Vincent, "A Mão do Diabo", Alfragide, Edições Asa, 2009.


A imortalidade personalizada por um mosquito gigante e laganhento, vingativo e com outros dotes (não inumero para não ser spoiler), que atravessou o mundo. Porquê?
Cabe a si descobrir nesta alucinante e estrambólica história... de amor!

Não se apoquente se der por si a questionar a razão da libelinha e do modo como a colaram à marretada na história.
Faz tudo parte da magia das lendas milenares.

 


3) A energia nuclear nada traz de bom para a saúde das formigas.
TREMAYNE, Peter, "As Formigas Vêm Aí!", Mem Martins, Europa-América, 1979.


Quando escutei pelo telefone o título deste exemplar, logo dei pulinhos de alegria.
Ah! Brasil! O lugar das formigas guerreiras.
Ler este livro é rever o episódio onde Macgyver lutou contra formigas sanguinárias e salvou uma plantação, espante-se só, no Brasil!


Elas são espertas, rápidas e comem tudo, só deixando os ossos a luzir no escuro.
Porquê comerem sola, tecido, couro, mas não ossos? A isso, o autor somente responde: cálcio.

Não questione demasiado a sua (a das formigas) inteligência para resolução de quebra-cabeças, nem tão pouco porque deixaram escapar os humanos naquela situação quando exactamente na anterior, tal não acontecera.
Se o autor diz que sim, é porque o é!

 


4) Darwin tinha razão!
LEWIS, Richard, "O Escaravelho da Morte", Mem Martins, Europa-América, 1979.

 

Adaptação para a sobrevivência dos mais fortes e as questões ambientais, estão na ordem do dia.
Um livro muito ecológico, anunciando o apocalipse, só mesmo faltando o assunto do aquecimento global.
Entre Inglaterra e Estados Unidos, é explorada até à exaustão a problemática do impacto do homem na Natureza, nomeadamente com a utilização de pesticidas e de vírus.

 

***


São apenas quatro dos exemplos de literatura para entreter.
Dentro do mesmo tema, de fio condutor igual, pejados de clichés, mas que ainda assim, conseguem trazer alguma variação na causa-efeito.

Talvez seja um dos factores que os separa dos hamburguers.

A escolha não foi inocente - ainda que não abarque todo o período.
É interessante observar a diferença da década 60 até hoje: as respostas na ciência e do nuclear, dão lugar ao fantástico, à busca no não palpável.

Qualquer dia, apresento uns "bombons" em suporte cinéfilo.

O Rei Urso Branco

Numa tirada opinativa, considero um bom conto infantil quando:
- transmite algo: uma virtude ou um ensinamento;
- é mágico - não precisa de ser rebuscado e ter feiticeiros, basta que explore a imaginação;
- é curto: para bom entendedor, meia palavra basta.

Numa tirada saudosista, hoje, ainda não encontrei um conto como os de antigamente.

Como os desta antologia, BOWLEY, Tim, "Contos do Mundo", Matosinhos, Kalandraka Editora Portugal, 2010.

 

 

"Nessa noite, quando a princesa foi dormir, o Rei Urso Branco sentou-se numa poltrona, à lareira. Ela acordou ao ouvir uns ruídos estranhos e, quando abriu os olhos, viu que o urso abria o peito, e que lá de dentro saía um homem."

BOWLEY, Tim, "Contos do Mundo", Matosinhos, Kalandraka Editora Portugal, 2010, p. 44

 

"As outras ficaram furiosas.
- Como podeis casar-vos com ela? Ela não trouxe nada! Vede a minha flor, é linda! (...)"
"O rei ergeu a mão, pedindo silêncio.
- Esta jovem cultivou a mais bela de todas as flores. E essa flor chama-se honestidade, pois as sementes que vos dei eram todas estéreis." Idem, p. 93

"Esperou pelo cair da noite e depois meteu os vestidos dentro de ma noz, enfiou um anel de ouro no dedo e meteu no bolso uma pequena roca e um fuso de ouro. Colocou o manto de mil peles sobre os ombros, enfarruscou as mãos e a cara para que ninguém a reconhecesse e, depois, saiu silenciosamente e fugiu." Idem, p. 96

"- Vem cá - disse o Homem Rochedo com a sua voz retumbante. Pé Ligeiro pôs-se de pé na borda do penhasco, abriu os braços e planou até lá abaixo, junto do Homem Rochedo, que lhe disse:
- Pedi-te para vires aqui porque, embora não tenhas jeito para correr nem saltar como as outras crianças, tens o melhor par de ouvidos de todos Iroqueses. Ouve as histórias e serás um grande contador de histórias." Idem, p. 104