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smobile

conceitos sob o ponto de vista do observador

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conceitos sob o ponto de vista do observador

30 Seconds to Mars, mas a anos luz da estrela

Ao contrário do lido por aí e por ali, acredito que teria sido de bom tom que a equipa dos "30 Segundos para Marte" em vez de ir fazer turismo para Sintra,  tivesse usado a tarde para testar o som e o equipamento antes do concerto.

 

Enalteçam a "boa onda" do vocalista as vezes que quiserem, mas para mim, não é (só) isso que faz um bom espectáculo:

  • o som estava muito, muito, muito mau, com distorções de fazer eriçar os cabelos - nem parecia a voz de Jared Leto;
  • era minimamente audivel só quando gritava - este problema foi notado por ele (por gestos queixa-se para o seu lado esquerdo);
  • um dos monitores declarou o seu óbito, após um coma intermitente ao longo do concerto: só esperava que surgisse a mensagem de "windows error"...;
  • Jared Leto não soube gerir as pausas que, por serem demasiado longas, quase perdia a mão no público;
  • se o concerto tivesse uma contabilização futebolística, poderíamos avançar que 70% do reportório foi cantado pelo público. Este facto deveria dar direito a 70% de estorno do bilhete, não?

Pontos altos existiram e esses estão bem aqui espelhados.

  • a sua simpatia;
  • o seu lado "artista": o seu clip censurado está bem filmado e o modo como dispõe (d)o publico é bem interessante;
  • os apontamentos belos de percussão ou os visuais - um mar de luzes que se estendia a seus pés é uma imagem fascinante.

 

Pessoalmente, foi um mau concerto, manchado por aqueles incontornáveis 5 pontos que, como estrela mundial, tinha a obrigação de ter-se salvaguardado.

Ficou muito aquém das expectativas, vejo agora, demasiado altas. Não conseguiu acompanhar a qualidade da sonoridade dos seus álbuns e não compreendeu que o conceito de "concerto intimista" não pode deste modo ser adaptado à marretada a espaços como o Pav. Atlântico.

 

Jared Leto prometeu regressar a Lisboa, para este público "amazing".

Quanto a mim, enquanto não alterar algumas coisas na sua actuação e principalmente como profissional que é, confirmar que tudo em termos técnicos está ok, de certeza que não contará com a minha presença.

 

 

 

 

Arte popular Alentejana - o Dançarino

Para os que não fazem ideia (eu...) como aquele brinquedo funciona, aqui fica a descrição.
Artigo completo com a sucinta explicação do ambinte em torno deste objecto, AQUI.
"Manipulação horizontal ao nível do manipulador, o qual segura uma vara de madeira que encaixa pela retaguarda no orifício do centro do peito. O manipulador senta-se em cima duma tábua que fica com uma das extremidades livres e assenta os pés do fantoche em cima da tábua. Seguidamente imprime pancadas na tábua com o ritmo desejado, o que a faz vibrar e saltitar o boneco.
Nos montes alentejanos, a manipulação era feita pelo chefe da família para entreter os filhos pequenos, o que acontecia quando regressava do trabalho ou ao serão, à luz da candeia ou do candeeiro a petróleo."

O Capuchinho Vermelho: retorno às origens

Tropecei noutra edição do conto do Capuchinho Vermelho e o mal afamado Lobo Mau.
Uma temática gasta para muitos, não para mim.

Mais um exemplar à minha estonteante colecção.
Esta edição em tons Outonais e fiel ao conto tradicional, aposta na variante ilustrativa.

ROWE, Louise, "O Capuchino Vermelho", Lisboa Editorial Presença, 2010.

 

 

Link para o vídeo.

 

Algumas verdadeiras histórias:

- versão de BARUZZI, Agnese, NATALINI, Sandro;

- versão de CÂMARA, Richard;

Presépio e Naturalismo e os Primitivos Portugueses

O Natal chegou ao MAA com a inauguração e visita guiada à exposição "Esculturas de Género - Presépio e Naturalismo em Portugal" e com visita guiada à inquietante exposição "Primitivos Portugueses - O Século de Nuno Gonçalves".

Enquanto que a primeira, baseada num estudo contínuo (o qual pode ser lido num interessante "B-A-BA-catálogo"), mostrou:

  • que muitas esculturas (por vezes, miniaturas) se baseavam em pinturas ou gravuras;
  • que isoladas dão belíssimas peças;
  • exemplares portugueses copiam exemplares alemães existentes em pormenores de retábulos barrocos alemães (ou o contrário...);
  • que Machado Castro não gostava de fazer "bonecos" delegando-os aos seus seguidores e como tal, não é o nome mais expressivo desta arte - um claro caso em como a fama ultrapassa de todo a obra executada;
  • que finalmente percebi o porquê das figuras terem diferentes tamanhos - daaah: é a culpa de não ver um Presépio montado;
  • que o grotesco coabita com o idealizado nascimento de Cristo: ter o horripilante "Massacre dos Inocentes" com tal detalhe é um exemplo;
  • que o único cortejo com figuras femininas pode ser visto no MNAA - composição retirada e adaptada de uma gravura rque retratava saltimbancos;
  • que o sanfoneiro é uma personagem incontornável num Presépio.

 

 

Já a segunda, "Primitivos Portugueses - O Século de Nuno Gonçalves":

  • lança novas luzes sobre datação de obras e a consequente contextuaização de autores (pintores), tudo graças ao estudo baseado na dendrocronologia;
  • que ainda não existe tabela para o carvalho;
  • que os "raios-x" mostram que muitos pintores eram indecisos ou desenrascados;
  • que tínhamos muito, muito, muito bons pintores e muito, muito, muito maus pintores: há quadros que pela sua extravagância, parecem-me verdadeiros ovnis, com os seus ET's rodeados de Pini-Pons ou que recordam filmes de terror japoneses com os seus paraquedistas anjos, o seu voador Cristo ou o seu esguichador decapitado profeta/ santo - que os eruditos não me oiçam...


Em ambiente propicio para o fluir de imaginação, admito que, com guias como os destas duas visitas, é raro não me divertir num local "sério" como o MNAA, enquanto aprendo qualquer coisita.

 

Dica:

- quando se decidir deslocar a esta imperdivel exposição, dedique largos minutos a observar e digerir esta montagem de 8 paineis.

- entrada gratuíta aos Domingos de manhã.

 

# Proteja as obras. Seja criativo. Não use o flash.

Utupia do simples

"Num dia, numa só hora, tudo mudaria. Ama a Humanidade como a ti próprio! Isto é tudo; isto é tudo e nada mais é preciso; saberás depois como hás-de viver."

DOSTOIÉVSKI, Fiodor, "O Sonho dum Homem Ridículo - O Ladrão Honesto", Santa Maria da Feira, Edições Quasi, 2008, p.53

 


No ghetto dourado da BD

Depois de inserir cafeína no sistema ao som de dois dedos de fofoca, de breves afazeres caseiros, de ler a Revista Nova Gente, de blogar, de faceboquear, de planear saídas para dias mais aprazíveis, nesta alagadiça tarde de feriado e com a ajuda de Rui Zink, prestei-me a levantar a ponta do véu sobre as mais valências da Banda Desenhada.

No seu estilo que muito prezo, ou seja, de botão "descomplicómetro" ligado no máximo onde o sentimento de segurança "de tudo arrumadinho" pode dar lugar a uma valente "belinha" no nosso cérebro, obrigando-nos a questionar o que foi apresentado, Rui Zink em "Literatura Gráfica? - Banda Desenhada Portuguesa Contemporânea" oferece-nos muitas luzes para o caminho labiríntico que é o "pensar a BD".

 

 

 

# pranchas em exposição na BD Amadora, 2010.

 

 

Algumas ideias retidas, boas para digestão.

- "O lugar em que a BD se encontra, com os seus festivais, com o seu marketing, com o seu circuito comercial, o seu merchandising, as suas livrarias especializadas, parece-nos muitas vezes mais um ghetto, embora dourado (cf. Peeters, 1993: 69-70), do que um espaço livre e de abertura, propício ao desenvolvimento da linguagem", p. 70 - sobre a questão da BD poder ser considerada uma variante da literatura.

- "Se há textos com um elevado grau de convencionalidade que se inserem a chamada cultura de massas, outros há que sistematicamente exigem ao leitor que repense as convenções adquiridas, a fim de conseguir - através da sua imaginação projectiva (Iser, 1989) - criar um sentido para a sua leitura. São estes textos - não objectos de cultura de massas, mas objectos estéticos - que nos interessam.", p. 49

- (...) "A BD tinha valor enquanto objecto de estudo na medida em que era um elemento da comunicação de massa, e não tinha nem mais nem menos interesse que qualquer outro elemento: cartaz publicitário, um programa televisivo, etc.", p.50

- (...) "se todo o objecto estético é de algum modo comunicação, e contém mensagem, a comunicação de uma mensagem não é a prioridade de um objecto estético." p. 52

- "Num texto de BD, como em qualquer livro, o leitor é soberano não só no modo como lê mas do tempo que dedica à leitura.", p. 56 -  questão levantada quanto à diferença entre filme e BD.

- "A elipse é a própria essência da BD, e a característica fundamental do modo de leitura que esta promove (...)", p. 57

- "O importante é a relação de continuidade estabelecida entre duas ou mais vinhetas. Essa ligação é sugerida no texto mas necessita da colaboração activa do leitor para ser concretizada." (...) "Essa ausência, esse espaço vazio à espera de ser preenchido pelo leitor é a elipse.", p.27

- "Não se lê pintura, vê-se pintura. Ler um quadro é uma actividade de segundo grau, posterior ao contacto sensorial. Na BD, ler e ver são actividades inseparáveis. Lê-se a imagem de um modo diferente das artes visais. A imagem obedece aqui a regras narrativas, a um modelo de leitura verbal, e a não regras de estética puramente visual.", p.58


in ZINK, Rui, "Literatura Gráfica? - Banda Desenhada Portuguesa Contemporânea", Oeiras, Celta Editora, 1999

Pop Up || 2010 @ Palácio Santa Catarina

"O Pop Up é um festival internacional de cultura urbana que desafia criadores de múltiplas áreas de expressão artística a intervirem em espaços urbanos".

 

Informação adicional:

 

 

 

 

 

Link para o album.

Link em slideshow.

# Proteja as obras. Seja criativo. Não use o flash.