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smobile

conceitos sob o ponto de vista do observador

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Blow Up

Seguindo a sugestão e o preview deixado por "Coisa minhas e Outras" num outro artigo, vasculhei na "Mercearia" Fnac e lá se fez achar uma Edição Especial de Blow Up (preço mega verde).

Sob o pano de fundo de um retrato da sociedade nos finais de 1960, desenrola-se uma história de mistério e crime.
Um fotografo excêntrico capta imagens que só aos poucos se vão deixando ver.
Confuso? Nem tanto.


A traços, a história anda à volta de uma imagem que um fotógrafo faz num jardim, e de algo que ele descobre na foto, mas não destrinça logo o que é.

Vai fazendo ampliações de ampliações até começar a ter alguma coisa mais perceptível, só que à medida que aumenta a foto, aumenta também o grão (estamos a falar de fotografias com negativos), e o que ele consegue distinguir não tem o detalhe suficiente para ele ter a certeza do que se trata. Está ali algo, ele sabe o que é, mas não sabe identificar. Ao mesmo tempo que o fotógrafo procura uma pista nas ampliações cada vez com mais grão, um tipo que vive na mesma casa que ele, onde moram muitos mais, tipo comunidade artística , mostra-lhe uma pintura pontilhista em que está a trabalhar mas que não sabe ao certo no que vai dar. É um fabuloso paralelismo.
Dias depois o fotógrafo volta ao local para procurar alguma pista, e não encontra nada. Ele sabe que fotografou, mas nada existe. O filme acaba com uma cena em que uma troupe de mimos joga ténis. No final uma bola lançada alto sai do campo, e a câmara acompanha o seu lento rolar até parar aos pés do fotógrafo. A bola não existe, nem se vê. São mimos que estão a jogar. Mas a câmara segue o movimento exacto que a bola teria, e nós acabamos por a ver, sem que ela exista. Sem ter também já a certeza do que existe ou não, o fotógrafo apanha a bola - que não existe nem se vê - e lança-a de novo para dentro do court.
Quem será que apareceu naquela foto? Existe realmente, ou apenas na foto? Levando mais longe a interrogação filosófica, existe quem não aparece? O que é existir então?

por Coisas Minhas e Outras

 

Os enquadramentos são belos, experimentais e muito ergonómicos, lembrando até a fotografia alemã de Movimentos da época.
Ao recorrer ao termo "ergonómicos", utilizo-o no sentido em que capta os movimentos naturais do local, assim como dos elementos inseridos nesse mesmo espaço recorrendo à figura humana não estática como elemento de ligação.

 

O filme encontra-se pautado por intervenções tão em voga na época: o action live. Às tantas em segundo plano podemos ver um belo contador com embutidos madre pérola...


(8/10)****
>>Maria
 

De destacar a participação de Yardbirds.

Cultura Pimba de Verão

Já era muito tarde.


O desejo do sossego de nossa casa parecia-me um Santuário idílico.
Idílico pois meio esbatido, lá ao longe, conseguía ouvir trechos de um "Aperta-Aperta com ela" e "Poeiráááá, lÉvantou PÚeiráááá" de um qualquer concerto local.

 

Assim vai a nossa Cultura de Verão, a um punhado de quilómetros de uma metrópole que se quer europeia.
A pimbalhada desfasada do costume, portanto.