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smobile

conceitos sob o ponto de vista do observador

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conceitos sob o ponto de vista do observador

Museus?!? "Jámé"!

"(...) many people don't visit them because their perceptions of museums

are from boring and irrelevant places.", p.20

 

 

Através deste espaço, tomei conhecimento da existência de uma tese disponibilizada online que pretende dar algumas luzes do porquê de uns apreciarem uma deslocação a um Museu e outros não.

MATOS, Maria Filipa Barreiro Alves de, "Why Going to a Museum? Motivations and Lifestyle of Museus Visitors and Non-Motivors", Março 2009 - Universidade Técnica de Lisboa.

 

 

Sempre me intrigou a falta de curiosidade demonstrada pela maioria das pessoas face a um núcleo expositivo.
 

Ao ler a tese e observando os seus quadros estatísticos, a serem reais, é assustadora a ausência de interesse pelo espólio/ herança/ novidades plásticas (o que for), e muitos casos em favor de algo tão parco como a televisão.

 

Acreditava que parte se devia à falta de capacidade das pessoas em abrandar o ritmo e assimilar com calma a informação que lhes é apresentada, quer a compreendessem ou não - aqui entraria em campo o factor curiosidade.

Mas segundo Maria Matos, é algo bem mais complexo que isso: esta divide o público por imensas variantes, desde o estilo de vida, ao factor educação, à idade, ao género, etc.


Deixo alguns aspectos que retive quanto às inquietações levantadas - quem vai ou não vai ao Museu e porquê?

 

 

 

 

Uma das questões colocada é o que leva alguém a preferir deslocar-se a um centro comercial visitar uma loja recentemente inaugurada, ir a um concerto ou procurar um festa para deixar as crianças em detrimento de uma visita a um museu?
O que motiva uns e desmotiva outros?

 


1) O Museu


O conceito de Museu, como tradicionalmente o consideramos, começa a estar obsoleto no século XXI, dado que a experiência educacional começa a não ser suficiente para motivar a visita.
Estes estão cada vez mais a ser pressionados para abordarem o problema de modo empresarial, sendo os seus visitantes, os clientes.
Estes têm de deixar a sua estaticidade para algo que fomente a interacção.

 

Um outro desafio passa por tornar os seus visitantes fiéis, ou seja, levar a população circundante a frequentar os núcleos museológicos.

 

O primeiro sinal de que o Museu estava a mudar deu-se com a introdução de cafetarias e lojas - um modo de financiamento para além dos tradicionais fundos estatais ou de mecenas privados.

 

A frase de ordem é a de que os Museus têm de conhecer o seu público.

 


2) Algumas características do público

 

- actualmente os valores do individual e do Conhecimento são substituídos pelo social/ pelo colectivo e divertimento/ entretenimento;
- as pessoas quando se deslocam em grupo aos museus buscam a interacção entre elas, buscam uma actividade dentro destes moldes;
- uma característica dos "não-visitantes", é a de que a sua deslocação aos locais museológicos cinge-se ao espaço envolvente às instalações: cafetaria, jardins, loja;


- uma das alegações muito utilizada é o factor preço, no entanto são também apontados outros tais como a incompreensão do observado, falta de interesse, o não retirar entretimento do visitado;

 

- o turismo que busca a herança pode ser fomentado - trata-se de um turismo com uma carga elevada de interesse pela Cultura Histórica ou Natural de um determinado local mais emblemático;

 

- é comum a utilização da frase "quem vê um, vê todos", sendo o preço das entradas o factor mais apontado - não estão dispostos a gastar dinheiro em algo que antemão acreditam não gostar;
- análises provam que a questão monetária é secundária: quando entrada gratuita, o fluxo de visitantes não sofre grande variação; o dinheiro é gasto na mesma, canalizado para outras actividades;
 

- muitos consideram que o divertimento e o conseguir despertar a curiosidade são fulcrais para captar visitantes;

 

- a educação continua a ser a razão primordial para uma visita, ainda que o fugir da rotina comece a ganhar cada vez mais terreno.

 


3) Visitante vs Não-visitante

 

- o grupo que mais vai ao museu é o de educação liberal, ainda que sendo o grupo com menos expressão numérica; estes não buscam o estatuto ou distinção nem consideram apelativa a ostentação de uma imagem; estes apreciam a variedade de oferta;
 

- os grupos familiares visitam um museu porque mantêm a imagem de que são locais onde se fomenta a aprendizagem e onde todos os membros podem participar numa actividade;
 

- apesar dos "visitantes" e dos "não-visitantes" compreenderem a importância do papel de um Museu, o segundo é incapaz de retirar ou conceber sequer a ideia de prazer numa visita a essas instalações;

 

- o grupo dos "visitantes"

  • é maioritariamente formado por mulheres;
  • tem educação superior
  • desenvolvem uma actividade profissional

 

- o grupo dos "não-visitantes":

  • é maioritariamente formado por homens;
  • os estudantes são os que menos se deslocam aos Museus;

 

- ambos:

  • é indiferente se o indivíduo/a é solteiro/a ou casado/a, se tem filhos ou não;
  • verificam semelhante tendência para viajar e para a vida social nocturna;

 

- motivos de constrangimento defendidos pelos "não-visitantes": falta de tempo, preço, interesse, incompreensão do observado, o sentimento de insatisfação na actividade, esquecimento, adiamento; o esquecimento está estreitamente ligado ao facto deste grupo simplesmente nem considerar uma visita.

 


4) O Marketing
 

Alguns estudiosos alertam para o perigo da demasiada comercialização destes locais, pois incorre o perigo de deturpar o propósito inicial de um Museu, factor que ainda é muito apreciado: o da aprendizagem.

 

O problema da estaticidade passa por uma administração ineficiente, assim, estratégias de marketing devem ser desenvolvidas:
- perceber as expectativas do público;
- assumir a responsabilidade de abarcar todo o género de público;
- desenvolver soluções que torne a oferta irresistível sendo preterível às demais actividades oferecidas para lazer.

 

Algumas direcções continuam a não compreender a importância de uma boa comunicação e que esta passará por um bom site actualizado.
A "venda" do Museu como uma marca, ajuda a pessoa a identificar-se com ele e eventualmente em tornar-se sócio, etc.

Outro fenómeno que cada vez mais se verifica é a necessidade de actividades para o indivíduo e para o colectivo:
- existem diferenças no que cada um considera razoável para despender em termos de tempo - aquele que se movimenta em grupo tem tendência a ser mais impaciente;
- existem diferenças no conceito de lazer antigo e actual no que se refere às actividades extras dos mais novos, nas quais os pais não são incluídos.

 

Dado que as pessoas continuam a valorizar o lado educacional em detrimento do divertimento, o primeiro passo seria alterar a imagem mofenta que a maioria tem destas instituições.

 

 


Concluo que existe muito de Gulbenkien nesta tese, pois, de todas as entidades é sem dúvida a que mais se aproxima dos moldes modernos apresentados.

 

Se percebi a razão do desinteresse das pessoas?
Não. Para mim continua a ser esquisito que não se ache fascinante uma peça de arte decorativa medieval a um poster pixelizado saído da New Media Art; que não se sinta qualquer estimulo, curiosidade, por algo tão fora da nossa realidade e conhecimento.

 

Mas mais que isso, não percebo qual a razão para esta tese só estar disponível online na língua Inglesa, quando a Universidade é Portuguesa assim como a sua autora e jurados.
Acredito que a compreensão da mesma seria muito facilitada.

 

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