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smobile

conceitos sob o ponto de vista do observador

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Caderneta de Cromos: O Museu dos Coches

 

Volta e meia fico lamechas e choramingo, não perante o cliché Samantha Fox mas perante as barbáries aos nossos valores.
Quando me debruço naquele varandim ou me encosto às colunas, e vejo todo um potencial que se perde por falta de visão, de gosto à camisola, de processos que nunca são analisados no terreno mas, quiçá, por interesses individuais.

Retirar o Museu dos Coches do seu local actual, considero um desvirtuar de todo o seu conceito: uma garagem que expõe carros de luxo que neste caso, são coches barrocos, rococós e neoclássicos.

A construção de um gigantesco museu de linhas depuradas e impessoais sob o mote de se agregar os veículos do género espalhados no país e o de oferecer uma melhor visibilidade aos objectos será, no limite, como o querer colocar um graffiti numa galeria de arte contemporânea.

Na falta de melhor termo: é parvo.

 

 

Se os Portugueses têm um longo historial de reaproveitamentos, seria assim tão obsceno repensar o actual Picadeiro Real para que continuasse a albergar estes espampanantes objectos?

O museu não é apenas um espaço, mas a envolvência criada pelos visitantes. A função primeira destes veículos de aparato não é o serem tratados como algo pertencente à alta cultura, mas sim de ofuscar a população.

Estando numa época onde nos querem fazer crer que os valores económicos falam sempre mais alto que os outros, aqueles!, aos que chamamos de valores culturais ou de capital humano, o Observatório Nacional diz que uma grande fatia das visitas pagantes é oriunda do estrangeiro.
Assim, se hoje vendemos Portugal como um país com identidade (o Fado, será o exemplo mais visível), questiono-me se estes visitantes quererão entrar num museu de "vanguarda arquitectónica", de traça igual a tantos outros existentes mundo fora ou se preferirão um velhinho Picadeiro Real, com toda a sua carga simbólica e que, mais não seja, pela razão de ser mais antigo que a grande maioria da construção urbana existente nos EUA.

 

 

Reabilite-se os museus existentes e que se aposte naqueles que façam falta, p.ex. para albergar o espólio "escondido" do MNAA ou do Museu do Chiado.
A Cultura agradece.

 

Deixo uma análise a frio da arquitectura e urbanismo, sem o que é apelidado de "poética laudatória aos amadorismos do ‘gosto"".

 

 

Em museus, proteja as obras.
Seja criativo. Não use o flash.