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smobile

conceitos sob o ponto de vista do observador

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Diário Gráfico como um objecto comunicativo

Ciclo de conferências A Viagem e o Diário Gráfico, Museu do Carmo.

14 Fevereiro – Tiago Cruz – “Do registo privado à esfera pública. O Diário Gráfico enquanto meio de expressão e comunicação visual”.

* * *

 

“(…) um contínuo processo de relação com o Outro

(Paulino, 2001)

 

Com uma plateia onde eram vistos alguns elementos do grupo da Urban Sketchers Portugal, Tiago Cruz falou-nos do seu objecto de investigação: o diário gráfico nas suas variadas valências.
Procurando a teorização sobre os DG, como a recolha de informação sobre os cadernos de arqueológos e antropólogos, trabalha também este objecto na área da comunicação.

Algumas anotações:
- tem uma função de memória: registo misto (p.ex. a colocação de bilhetes de cinema – a prova de que algo aconteceu);
- uma maior aproximação entre observador e observado;
- permite a colocação de reflexões ou de esboços adquirindo um carácter exploratório;
- como ferramenta, é um produto comunicativo visual;

  • a sua função, conteúdo e forma, apresentam-se como género simbiótico ;
  • é processo semiótico que se traduz na documentação, memória, viagem, companhia, representação, interpretação, exploração, reflexão, espaço criativo, comunicação. “Um discurso semiótico (que) é uma versão da prática social”.

 

Algumas problemáticas:
- o privado transposto para o público;
- os diferentes usos e funções, implícita diferentes significados e símbolos (valores);
- associados à representação visual, questiona-se a objectividade e a sua veracidade;

  • quando observamos digitalizações onde constam as margens, é uma construção do valor para estes objectos; quando são visíveis os registos nos versões das páginas (as imagens fantasma) pode ser considerada uma busca de verdade.

 

Identificam-se três grandes grupos:

1) produtos compilativos: ex. Eduardo Salavisa ou Manuel João Ramos.
2) reprodução na íntegra em transporte para a esfera pública (ex. Frida Kahlo);
3) transporte para a esfera pública, mas pela mão do autor.

 

 

Palavras-chave:

- descobrir, experiências, exteriorização, auto-descoberta e experimentação (uma função conselheira), memória, metáfora de diário pessoal.

 

Tiago Cruz, coloca os DG segundo um eixo de tensão:

A -------------------------- B ---------------------------- >C

A) exploração: estudos para serigrafias, p.ex. Tiago Cruz -> esfera privada, descrição, prova, testemunho, confirmação.

B) eixo de tensão: ferramenta de apoio para ferramenta de investigação: ex. Manuel João Ramos

C) exposição: ex. Henrique Flores > esfera pública, demonstração, rememoração, apresentação, recordação.

 

A autenticidade do apresentado, como acima mencionado, é uma problemática sempre presente na abordagem do DG enquanto objecto de documentação. Conceitos de verdade, objectividade e valor de verdade são preocupações que surgem quando o importante não é tanto o que se vê, mas o valor que transportamos para essa imagem.

- “Desenhei ínfima parte do que vi e apontei de uma forma despreocupada muito do que contaram.”

(Henrique Flores, “Cuba”, 2009)

É por se tratar de uma interpretação, que emerge a necessidade de confirmar a veracidade do apresentado, um discurso comum a toda a comunicação de Tiago Cruz.

Um dos caso estudo abordados foi o “EN2” de João Catarino: “um livro clássico, para uma viagem clássica”.

Faz um constante jogo entre a tradição (numa conotação positiva) e a modernidade (numa conotação negativa). Até no aspecto físico do objecto o aspecto tradicional é reforçado: um objecto feito por encomenda, de cor negra, e de cantos reforçados com  lona vermelha.

Informações adicionais:
 - local e datas: Convento do Carmo.
- entrada gratuita
- possibilidade de visita ao espólio do Museu.
- Urban Sketchers.