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smobile

conceitos sob o ponto de vista do observador

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“Boa” e “pacote”

“(...) a publicidade empresarial estimula os indivíduos a atirarem-se para a prensa do consumo de mercadorias. Os trabalhadores são transformados em consumidores, que produzem para consumir. As mulheres, que são os alvos principais da publicidade, são estimuladas a acreditar que fazer compras é o seu trabalho e o seu modo de vida.” in KEANE, John, “A Democracia e os Media”, Lisboa, Temas & debates, 2002, p. 90.

 

“Às vezes, os publicitários contam histórias repletas de princípios sexistas, homofóbicos, nacionalistas, racistas ou outros; (...)”
“Mesmo assim, os anúncios falham o alvo ou “excedem-se”. Em geral os anúncios não comunicam porque o público a que actualmente se dirigem é muito diferente do público-alvo.” Idem, p. 91

  

 

Depois dos sucessivos aberrantes anúncios do serviço Internet Sapo onde o seu “pacote” era enaltecido, eis que chega a Zon com a sua brejeira mensagem1 de “boa”.


Esta brejeirice que se confunde com o ordinário (tal é o seu limiar difuso) e que tomou de assalto as mentes publicitárias2, a meu ver, incorre o risco de colar um estigma nestas empresas que não se coaduna com a sua orientação para a inovação, modernidade, cosmopolitismo e qualidade - ou isso, ou a percepção que tenho destas duas entidades está completamente errada.

 

Se a Worten recorre à imagem da clientela residente nas periferias das capitais (cariz suburbano) que vai de fato-de-treino encher os hipers e cc’s aos fins-de-semana (o boneco “eu é que não sou parvo”, também ele se apresenta com este uniforme de fim-de-semana), parece-me que a Sapo e a Zon pode perigosamente começar a estar identificada com este fenómeno.

1o público alvo será (uma vez mais) o masculino, pouco tecnológico.

2seguindo a lógica, poderia agora fazer um juízo sexista e especulador quanto às suas características e "capacidades", mas resvalaria para a conversa de café.