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smobile

conceitos sob o ponto de vista do observador

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conceitos sob o ponto de vista do observador

Crenças na Páscoa, do cristão ao pagão

"Maço, marçagão,
pela manhã rosto de cão, à tarde Verão."


"Nasce a erva em Março,
ainda que lhe deêm com um maço."

 

(Couves)

"É na quadra que liga os Ramos à Páscoa que se observam, um pouco por todo o país, alguns costumes (...)", "um deles consiste em não se comer couves na Quinta-Feira Santa, em virtude de "Nosso Senhor nesse dia se haver escondido num couval." Em certas localidades, evita-se também ir às horas."

in BARROS, Jorge, COSTA, Soledade Martinho, "Festas e Tradições Portuguesas: Março e Abril", Rio Tinto, Círculo de Leitores, 2002, p. 21.

("Amentação das almas")

"Tradição mantida desde há séculos pelas gentes da Lajeosa (Tondela, Beira Alta) e das localidades vizinhas (Vinhal, São Gemil, Teomil), a "amentação das almas" significa um ritual cristão destinado a recordar e também a pedir, durante a Quaresma, pelo eterno descanso dos defuntos. Transmitido e cumprido com a mesma fidelidade, respeito e devoção de pais para filhos, um grupo constituído por sete elementos (homens e mulheres) meio encapuçados, numa imagem de total secretismo, reza até noite avançada orações em verso (onde descreve a vida de Cristo), repetindo os cânticos em sete encruzilhadas da aldeia."

Idem, p. 39.


 

("Serração" ou "serragem da Velha")

"Alusão provável ao final do Inverno, com a chegada da Primavera, patente noutras manifestações do calendário cíclico religioso/ pagão (os Árabes chamam aos setes dias do solstício do Inverno os "sete dias da velha", enqanto Gil Vicente, no Triunfo do Inferno, representa o Inverno como "a velha"), esta função terminava com a queima da boneca, antecedida da leitura de um "testamento", quase sempre em verso (apelidado "carriço" em Viana do Castelo), no qual a velha doava, a uns e a outros, os seus "legados", sempre condizentes com a crítica social e brejeira dirigida aos residentes da localidade, que participavam (ou não) no ritual da queima."

Idem, pp. 59-60.

(As pulhas)

"Em tempos recuados, competia aos farricocos a tarefa incómoda de "lançar as pulhas", ou seja, de divulgar ou caluniar publicamente os mais íntimos segredos de cada família, a coberto da escuridão e do disfarce, atingindo indistintamente quem calhava. Outras vezes, após a procissão espalhavam-se pelas ruas, noite adentro, causando medo a quem com eles se cruzava. (...)"
"Na origem pagã, estes homens tinham por missão anunciar às pessoas, pelas ruas, utilizando matráculas, a passagem dos condenados, relatando os crimes por eles cometidos."

Idem, pp. 88-89.

 

(Ovos)

"Associado à doçaria tradicional da Páscoa, o ovo - também ele símbolo da fecundidade e da abundância - representará, por outro lado, a eventual homenagem à nidificação, verificada nesta época do ano, quando as aves terminam a construção dos ninhos, chocam os ovos ou alimentam os filhos.
Personificação do começo da vida, terá ainda o seguinte significado: a casca - a Terra; a parte interior - o ar; a clara - a água; e a gema - o fogo, mas também poderá simbolizar, num sentido mais religioso, Cristo que venceu a Morte ainda do túmulo."

Idem, pp. 142-144.

 

 

 

 

E muito mais em BARROS, Jorge, COSTA, Soledade Martinho, "Festas e Tradições Portuguesas: Março e Abril", Rio Tinto, Círculo de Leitores, 2002.

Uma recolha de cultura popular que desmitifica a Páscoa de hoje.