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smobile

conceitos sob o ponto de vista do observador

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conceitos sob o ponto de vista do observador

Uma irritação

"E pensei que teria sido melhor, nesse serão e mesmo durante toda a noite, ler Pascal ou Gogol ou Dostoievski ou Tchekov do que vir a este enjoativo jantar artístico na Gentzgasse."

BERNHARD, Thomas, Derrubar Árvores - uma irritação, Lisboa, Assírio & Alvim, 2007, p. 26.

 

A partir de uma poltrona de orelhas, Derrubar Árvores:

  • destila fel por todos os lados.

"Elas acreditam, porque ganharam fama e receberam muitos prémios e publicaram muitos livros e venderam os seus quadros para muitos museus e publicaram os seus livros nas melhores casas editoras e colocaram os seus quadros nos melhores museus e que este repugnante Estado lhes atribuiu toda a espécie de condecorações, que se tornaram em algo de importante, mas em nada se tornaram, pensei eu."

idem, pp. 67-68.

  • eleva o falar em círculos a um extraordinário patamar.

"(...) eu não tinha o Pato Bravo, embora estivesse certo de que o tinha, pois obviamente eu tenho o Pato Bravo, pensei eu quando abri o armário e quis tirar o Pato Bravo, pois li o Pato Bravo várias vezes durante a minha vida, pensei eu, e lembro-me também perfeitamente em que edições, mas realmente não o tinha, e quando o quis comprá-lo na cidade, como a escritora Jeannie, não o encontrei."

idem, p. 52.

  • tem um discurso que roça o esquizofrénico, contaminando tudo ao seu redor.

"Irritava-me o facto de o companheiro da Joana, que seguia a meu lado, poder estar tuberculoso e eu continha a respiração sempre que ele tossia, para não ser contagiado, até que de repente pensei que eu próprio também era tuberculoso e provavelmente ainda em maior grau que o companheiro da Joana e de súbito comecei ainda a tossir mais que o infeliz que seguia a meu lado e que, logo que eu comecei a tossir, parou com a sua tosse e fez como se tivesse percebido que eu comecei a tossir, ele pôs um lenço de papel diante do nariz e foi andando com a cara virada para o outro lado."

idem, p. 76.

  • retira o fôlego, com a sua confrontação.

"A maior parte das pessoas realmente não nos interessa, pensei eu o tempo todo, quase todas as que nós encontramos não nos interessam, não têm para nos dar senão a sua mesquinhez das massas e a sua estupidez das massas e com isso nos aborrecem sempre e por toda a parte e naturalmente não temos por elas o mínimo interesse."

idem, p. 148.

 

Palavras-chave: repugnante. As pessoas, aquelas pessoas, são repugnantes para o personagem.
Conceito: ansiar o sossego não é o mesmo que "ser-deixado-em-sossego".

Fábulas

"Em vez disso, aqui estou, corroída e furada pela mais feia ferrugem! (...)

O mesmo horrível fim da navalha está reservado às pessoas que, em vez de se exercitarem na virtude, preferem entregar-se ao ócio. E tal como a navalha de barbear, perdem a finura e a luz da inteligência e rapidamente são corroídas pelo bolor da ignorância."

in VINCI, Leonardo da, Fábulas, Lisboa, Editora Prefácio, 2006, p. 42.

 

  

Ilustrarte (dot) 12

 

A Ilustrarte está novamente no Museu da Electricidade, acompanhada pela retrospectiva sobre o trabalhado de Martin Jarrie.

Nesta edição, foi encontrada uma divertida solução para expor os trabalhados vencedores: gigantescas mesas de cabeceira, onde nem o copo de água ou o livro faltam.

 

- Emilie Vast -

 

Nomes que ficam:
O lindíssimo Mare en de dingen de Tine Mortier e Kaatje Vermeire.
Os desenhos que respiram de Emilie Vast.
As texturas de Daniela Murgia - muitas dedadas naquele expositor serão minhas.
O escanifobético de Patryk Mogilnicki.

 

- Daniela Murgia -

 

- Patryk Mogilnicki -

 

O coreano Yeon-Cheol Park e a sua visão apocalíptica - apresenta o seu livro num único fólio que se desdobra.
O detalhe clássico e realista de Sonja Danowski.
Anna Boulanger com o seu Un estomac dans des talons - Petite histoire d'appétit et de sushi.
Mais peixes de Alicia Balandan e os carvões de Nadine Abril.

 

 

- Yeon-Cheol Park -

 

Nota sobre os ilustradores portugueses: segundo comentário escutado, estes procuraram nos seus trabalhos os seus vazios, as cores primárias e os traços minimais, chamando deste modo a atenção para os elementos apresentados.


Informação adicional:
- Museu da Electricidade, Lx
- até 08 Abril
- entrada gratuita
- http://www.ilustrarte.net/

 

 

 

  

Lido por aí

"So when I came across a certain European street-style blog of stylishly dressed women riding bicycles I signed right up. I went and bought the Dutchiest bike I could find in Los Angeles (which was actually made in China) and a bunch of flouncy dresses from H&M and promptly started biking up and down Sunset Boulevard leaving a trail of bolts and washers behind me.

But as I got more confident about with bicycle commuting, I realized something bothered me about this bike sheek culture.

 

It was just another stereotype.

So I moved on. I agree about wearing ordinary clothes when I bike. But now I wear my ordinary clothes which don’t happen to be dresses or heels or terribly stylish most of the time– my biking does not revolve around fashion."

por BikeyFace

É uma chiclet.

"(...) a fruição artística na era do capitalismo de massas é equiparada à gastronomia ou à pornografia, reacção burguesa à intelectualização da arte em que a satisfação estética, ao confortar a inquietação perceptiva (função manifesta), acaba por conduzir ao preenchimento de necessidades e desejos artificiais criados pela sociedade de consumo e servindo, subjectiva e objectivamente, os interesses ocultos (não-ditos, não-denunciados) das classes dirigentes (função latente).

Esta estética da negatividade, fundada numa atitude ascética perante a arte, aproxima-se do gnosticismo moderno, estudado por Eco, em que a suprema vitória é declarar que não se percebeu, porque a arte que se percebe é uma proposta fácil e derrotada à partida (tese da incomunicabilidade essencial da arte)."

in LOPES, João Teixeira, "Experiência estética e formação de públicos", AAVV., Públicos da Cultura, Actas do Encontro organizado pelo OACICS UNL, Lisboa, OAC, 2003, p. 48.

A chiclet alivia o hálito empoeirado e também dá estilo.

 

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