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smobile

conceitos sob o ponto de vista do observador

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O cheiro da carraça - o título que gostaria que o livro tivesse

"De facto, os homens podiam fechar os olhos ante a grandiosidade, ante o louvor, ante a beleza e fechar os ouvidos a melodias ou palavras lisonjeiras. Não podiam, no entanto, furtar-se ao odor, dado que o odor era irmão da respiração. Penetrava nos homens em simultâneo com ela; não podiam erguer-lhe obstáculos, caso lhes interessasse viver.

 

E o odor penetrava directamente neles até ao coração e ali tomava decisões sobre a simpatia e o desprezo, a repugnância e o desejo, o amor e o ódio. Quem controlava os odores, controlava o coração dos homens."


SUSKIND, Patrick, "O Perfume - História de um Assassino", Barcarena,

Editorial Presença, 2006, p. 171



Admito que desde que li "Como a Arte antecipa a Ciência - Proust era um Neurocientista", o cérebro como tema, está a tornar-se uma obsessão para mim.


Cada vez mais verifico que tudo o que seja relacionado com o não palpável no ser humano (as emoções, a razão de determinada resposta perante o outro, como reagimos ao nosso redor, e mais importante, a noção de alma, do consciente e do "Eu") não passará do resultado do modo como o nosso cérebro assimila a informação em que as nossas extremidades tropeçam - aparentemente, em papel de destaque, o nariz, que nos brinda com olfacto.

Numa visão muito pouco romântica, tudo não passa de reacções químicas,  descargas eléctricas, processamentos, descargas eléctricas e mais reacções químicas.

 

 

Acredito que o romance "Perfume" somente conseguiu captar a minha atenção graças à minha leitura prévia do acima mencionado livro:  o modo como expõe o tema do odor, de modo por vezes rebuscado, acabou por ser bem aceite pelo meu sub-consciente.

 

A história no entanto resume-se a isto: um homem de infância dificil torna-se num psicopata porque pretende tornar-se num ser humano.

 

"Perfume" será um nome mais bonito, mas na verdade, o livro deveria chamar-se "odor(es)", pois é disso que ele trata. No extremo, "O Cheiro da carraça" (um mestre de nariz sensivel que teima em não morrer).