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smobile

conceitos sob o ponto de vista do observador

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conceitos sob o ponto de vista do observador

"As grutas que escondem as águas subterrâneas da Serra da Arrábida"

 

No âmbito da Ciência Viva em parceria com a SPE, realizou-se ontem mais uma saída de campo. Desta feita, o destino eram as grutas da Arrábida.

 

Orientada pelo professor José Crispim e já com algumas noções geológicas básicas fornecidas pelos seus dois jovens colaboradores (alunos?) no Castelo de Sesimbra, a visita foi marcada pelo seu entusiasmo contagiante, mesmo para quem um calhau é só mais um calhau a não ser que se trate de um diamante.

 

Os alvos foram dois locais: a Lapa das Pombas e a Lapa dos Morcegos.
nota: a grosso modo, lapa significa uma gruta encimada por uma grande laje.

 

 

 

 

 

 

Na primeira, os visitantes (os que se sentiram mais à vontade para percorrer aqueles 10 metros) tiveram a oportunidade de se empoleirar numa escarpa e a cerca de 30 metros de altura (a 2/3 da cota de altura da gruta), espreitar e compreender as variações existentes na Lapa das Pombas e na Furna dos Suspiros (100 metros de comprimentos e cerca de 4 metros de largura).

 

  

 

Num aparte, admito que para baptismo na "arte do empoleiramento", contornar agachada aquela esquina com o ranhoso do capacete (a segurança devia ser mais fashion) em teimar em embater numa reentrância, depois de olhar para a espuma lá de baixo e para a gaivota que pairava sobre mim, como dizia, admito que existiram ali uns segundos que caso necessário, nem com uma espátula conseguiram desgrudar-me da "minha" rocha cheia de caca e de outros detritos não identificados.
Mas depois desta 1ª impressão, o regresso muito mais pacifico (e rápido!), com a minha mochilinha a achincalhar. :)

 

Miguel says: Mas levaste a mochila?!? Isso não desequilibra?
Eu says: ... hellooo, e onde é que colocava a máquina fotográfica?... daah....
Miguel says: ... claro, pergunta parva a minha.
Eu says: adoraria ter filmado o trajecto, mas faltou-me um 3º braço. Acharias genial!!!
Miguel says: claro, claro. principalmente da parte onde partirias o nariz com a brincadeira...
Eu says: que exagero. Mas só faltou o mp3... e com a música do M.Impossivel! AHHAHAHAH!
Miguel says: boa! levar mais tralha é sempre um bom plano!

 

 

 

 

A Lapa das Pombas, que é uma junção de duas grutas, apresenta um variação cromática e de textura bastante diferente.
Isto deve-se não só à sua formação nas profundezas da Terra, mas também ao facto de ter estado preenchida por areia e outros sedimentos trazidos pelo mar - recordo que o nível do mar era muito superior ao actual.
 

Com o recuo dos oceanos, a gruta sofreu novo desgaste, ficando para trás vestígios de dunas consolidadas e rochas roladas provenientes de locais como de rios mais a norte (do rio Tejo chegam rochas que foram identificada serem das Portas de Ródão) (vide vídeo).

 

Link do vídeo.

 

 


A caminho da Lapa dos Morcegos, fomos alertados para os sumidouros. São estes que recolhem as águas das chuvas e pautam um pouco a Serra da Arrábida.

 

 


Estas águas infiltram-se nas rochas originando cascatas esporádicas somente visíveis nos grandes temporais e geralmente, só a partir do mar - é demasiado perigoso ou mesmo impossível, a sua aproximação quando com caudal.

 

 

 

 


Um desses locais (um percurso de água seco) foi o percorrido para alcançar a plataforma sobre a gruta dos Morcegos: o Ribeiro das Terras do Risco.

 

Aí saltitamos na zona a que o Professor denominou dos "fogões e um ou outro frigorífico", para visualmente ilustrar aos mais jovens do grupo, o aspecto do que os esperava.
De facto, os blocos rochosos encavalitados desordenadamente, davam essa noção e pessoalmente, existiam muitos mais "frigoríficos" que fogões...

 

 

 

Chegados à plataforma sobre a gruta dos morcegos, mais uma vez, a vista era deslumbrante.
 

Enquanto descansavamos, no nosso lado direito observavamos as diferentes camadas e a inclinação das mesmas que denunciavam de forma muito evidente o modo como o choque entre as duas placas tectónicas forçaram a subida das massas rochosas em direcção à superfície.

 

 

 

 

Como balanço, surpreendeu-me a variedade de texturas e de coloração na Serra da Arrábida: desde o liso ao rugoso (quartzite ao ferro), ao cinza ao vermelho (calcário à argila), graças também à diferente velocidade com que as rochas se deixam desgastar pelos elementos.
 

Algo tão díspar da que se encontra na zona de Montemor-o-Novo, a 5 passos dali. Um local tão complexo que reúne até vestígios dos 5 actuais oceanos.

 

 

 

 

 

 

 

Para informações e termos técnicos, deve ser consultado o site da SPE.