Quinta-feira, 26.01.12

Isto vai de mal a pior.

Se, por não ter de lidar diariamente com livros da Nora Roberts, alguma vez pensou que o inferno não existia, em breve terá ao seu dispor a irrefutável prova da sua existência.

por Livreira Anarquista - Revelação

Nora Roberts virou-se para a necrofilia e como não poderia deixar de ser, em triplicado.

O slogan das pilhas Duracell, nunca fez tanto sentido: e dura e dura e dura e dura.

 


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Segunda-feira, 23.01.12

 


sinto-me modo restart
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shut down. press restart.


sinto-me shut down, press restart
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Sábado, 21.01.12

*o comentário foi roubado a uma colega.

 

Pois é, desta o Frankenstein ainda se safou. Por enquanto...

Numa atitude de puro ócio num Sábado de manhã em que se foge por momentos à realidade e dos preparativos para uma tarde menos simpática, eis que tropeçamos na noticia de que no Verão de 2012 irá aparecer uma coisa de seu nome "Warm Bodies".

 

 

 

 

Drama, horror, romance, são as tags. Até aqui nada de especial, até a sinopse ser lida:

After a zombie becomes involved with the girlfriend of one of his victims, their romance sets in motion a sequence of events that might transform the entire lifeless world.

 

O gosto pela necrofilia de algumas camadas cinéfilas e de leitores, foi transportado para os zombies. Endoideceram de vez.
Minha gente (reportando-me às camadas acima mencionadas), já se aperceberam que apesar da personagem ser um morto, esta encontra-se agora em decomposição!?

 

E olhai só.
Stars: John Malkovich. "O" John Malkovich!!

Lamento, mas neste engodo não torno cair. Já me bastou o Gary Oldman e não correu nada bem.

 

Nota mental:

Mas porque não o contactam para entrar nos Morangos com Açúcar?

Assim como assim, o senhor até gosta de Portugal e podia ensinar algumas coisas... Talvez até o visse por aí a fim de o convidar a tomar uma bica acompanhada de um pastelinho de bacalhau, ora. (a)


sinto-me "cah" nojo.
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Sexta-feira, 13.01.12

No que parecia ser mais uma conferência sobre o marketing e a pressão que faz na sociedade - a isto designa-se por market-driving, em oposição ao tradicional market-orientation -, rapidamente transformou-se numa chamada de alerta para a realidade de situações que, se hoje são consideradas residuais, a médio e a longo prazo escalarão massivamente.

 

Apontamento: Market-driving, é o transformar o mercado, impondo-lhe novos valores. Acha exagerado o que esta comunicação apresenta?

Considere como hoje a prática de desporto se tornou numa necessidade básica, ou o no modo como os telemóveis de última geração se tornaram não um meio de estar contactável mas numa questão de inserção de grupo.

 

- - -

"O que é que a Publicidade diz sobre as mulheres? Diz que o mais importante é o nosso aspecto. (...)"

"Crescemos numa cultura onde o corpo da mulheres é constantemente transformado em coisas, em objectos: aqui ela transforma-se na garrafa Michelob; nesta publicidade (imagem seguinte), ela transforma-se em parte de um jogo de vídeo."

 

 

 

"E isto está por todo o lado, qualquer que seja a publicidade. O seu corpo transforma-se em coisas e objectos."

 

Pior do que afectar a auto-estima da mulher, incute a noção de violência sobre a mulher.

"Transformar um ser humano num objecto, é sempre o primeiro passo para justificar a violência sobre essa pessoa (...), "esta é desumanidade e a violência torna-se inevitável, como o racismo, homofonia, como com o terrorismo."
Isto é um problema de saúde pública: a anorexia (a tirania da magreza), a violência, os valores."

 

Link do vídeo.

Observação adicional: aqui.

 

- - -

 

http://www.mediaed.org

"Jean Kilbourne, Ed.D. is internationally recognized for her groundbreaking work on the image of women in advertising and for her critical studies of alcohol and tobacco advertising. In the late 1960s she began her exploration of the connection between advertising and several public health issues, including violence against women, eating disorders, and addiction, and launched a movement to promote media literacy as a way to prevent these problems. A radical and original idea at the time, this approach is now mainstream and an integral part of most prevention programs. Her films, lectures and television appearances have been seen by millions of people throughout the world. Kilbourne was named by The New York Times Magazine as one of the three most popular speakers on college campuses. She is the creator of the renowned Killing Us Softly: Advertising's Image of Women film series and the author of the award-winning book Can't Buy My Love: How Advertising Changes the Way We Think and Feel and co-author of So Sexy So Soon: The New Sexualized Childhood and What Parents Can Do to Protect Their Kids."


sinto-me farta de tanta "grunhice"
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# às 12:33 | link do post | comentar

Quinta-feira, 12.01.12

"Está prestes a ser aprovada na Assembleia da República, um projecto de lei que vai ter um impacto brutal nos bolsos dos portugueses."

E em bom Português: estúpido. E pior: perigoso!


Qualquer suporte digital, esteja ele ou não ao abrigo da lei do direito de autor (recorda-se daquele DVD onde guarda as suas fotografias daquela festa de anos dos seus miúdos?), vai passar a ser taxado.

 

siga "Dizer não à taxa" © Facebook

 

 

Telemóveis, máquinas, cartões, cd's, discos externo, pen's, onde guarda fotografias digitalizadas ou qualquer tipo de transformação de um documento em digital: tudo o que se tratar de cópia e armazenamento de conteúdos, passará a ser taxado.

 

Mais uma vez, os partidos defendem-se no seu tradicional estilo, alegando que apenas seguem o que no exterior já é aplicado (França, Alemanha).

 

Como é curioso que nunca apliquem este critério para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos que (supostamente) servem, nomeadamente no que respeita às remunerações, ao controlo de preços nos bens, etc.

"Giro", não é?

 

"Da forma como o projecto de lei está elaborado, e com a evolução tecnológica, qualquer dispositivo de armazenamento de ficheiros vai pagar taxas obscenas, que inviabilizarão a sua compra. É o retrocesso de décadas, só os muito ricos terão poder de compra compatível com os preços propostos."

Ou seja:

Mantendo a população na cultura rasa será muito mais fácil subjugá-la.


Notícia da TSF: http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=2235516
Notícia da Antena 1: http://www.rtp.pt/noticias/?headline=46&visual=9&tm=91&t=Projeto-sobre-lei-da-copia-privada-levanta-polemica-nas-redes-sociais.rtp&article=516550
Notícia da RTP: http://www.rtp.pt/noticias/index.php?t=Governo-disposto-a-colaborar-com-PS-nas-taxas-sobre-dispositivos-de-copia-privada.rtp&article=515629&layout=10&visual=3&tm=4

 


Actualização - nota adicional:

Apontamento sobre o impacto na criação cultural não oficial:

Lsoares: http://lsoares.blogs.sapo.pt/514935.html

"Curto e grosso. As ideias dos nossos políticos e das supostas sociedades de protecção dos autores enfermam de uma falta de visão e falta de noção da realidade e das tendências de evolução da criação cultural num contexto digital."

 

.


sinto-me
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Terça-feira, 10.01.12

@ Lx


sinto-me
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Terça-feira, 03.01.12

"- Se tu fizeres num local fixe uma cena fatela contrabalança tás a ver, naquela, está num local fixe mas está fatela, enquanto que se fizeres num local fixe e estar fixe claro ficas mesmo bué mais fixe, se tiver num local fatela e buéda fixe também é aquela, é fixe mas tá aqui refundido e o caraças."

depoimento de Z.

in PAIS, José Machado, "Traços e Riscos de Vida", Lisboa, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa - AMBAR, 1999,  p. 189

 

- fotografia por M. Santos, Olhão, 2009 -

 

"Eu quando comecei não queria conhecer os gajos que faziam mais fixe, porque sabia que não fazia bem, nem queria vê-los, eu nem gostava muito porque, pronto, olha eles fazem bem que se foda não, mas queria fazer o máximo que podia para ganhar aquela fama, pá quando chegares... é como se deve não é à toa, muitos putos não fazem isso, não pensam na coisa."

depoimento de B.

Idem, p. 191.

Observações:

- estes jovens falavam de graffities e de tags.

- José Machado Pais, no seu estudo, além de sociólogo, desempenhou papel de tradutor.

.


sinto-me 'tá fixe
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# às 19:48 | link do post | comentar

"Uma actividade de lazer não se deve caracterizar

apenas pela sua prática mas também pela sua carga simbólica."

in PAIS, José Machado, "Culturas Juvenis", Lisboa,

Imprensa Nacional.Casa da Moeda, 2003, p.140.


sinto-me
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# às 07:13 | link do post | comentar

A ideia generalizada retida é a de que os nossos adolescentes e jovens adultos (faixa até aos 25 anos) são indolentes.

Na falta de um melhor termo, são uns moles.

"Não fazer nada" representa, aliás, uma das principais actividades características das culturas juvenis. Por seu lado, falar, conversar, estar (por estar) com os amigos representam dos mais frequentes modos de "não fazer nada".Os assuntos das conversas não têm de ser reais, podem ser histórias fictícias (...). O importante é ter ideias originais, e, algumas vezes, uns "copos" e uns "pós" - dizem alguns - ajudam a ter ideias originais.

Na Dorninha, por exemplo, alguns jovens emborrachados acham original, nas noites de fim-de-semana, interromper o trânsito, rebolando-se pelo chão, e insultando os estupefactos condutores por os não deixarem deliciar-se tranquilamente com o leito do asfalto.(...)

 

"Matar o tempo" envolve uma astúcia, uma perícia, uma arte que um bom assassino de tempo deve possuir (...). É neste "não fazer nada" que se produzem as solidariedades e identidades grupais; é nestas ritualidades que se geram as múltiplas construções (e distorções) juvenis da realidade.

Para alguns jovens, a melhor forma de matar o tempo é deixá-lo passar... não têm receio de ser atropelados pelo tempo. O futuro e a continuidade do presente. Um presente que é, por vezes, monótono(...).

No pólo oposto, há jovens que procuram ultrapassar o tempo, evadindo-se do quotidiano, vivendo-o o mais depressa possível, por entre pedradas, trips e viagens alucinantes. in PAIS, José Machado, "Culturas Juvenis", Lisboa, Imprensa Nacional.Casa da Moeda, 2003, p.131

 

 

A doença crónica de seu nome tédio: gente com muito tempo livre entre mãos.

A alucinação é total, quando o autor faz transcrições de disfuncionais diálogos ou descreve situações de violência despontadas porque alguém estava a roer as unhas ou porque apresentava um diferente corte de cabelo.

 

Este estudo abrange todas as classes, verificando-se padrões de comportamento semelhantes.

Em férias costumo ir para o Meco (...). Pá, costumo ir pá, com amigos, com a namorada e com os colegas, passamos lá montes de tempo, curtimos à brava campismo, nudismo e pá, 'tar à vontade, longe e perto da sociedade ao mesmo tempo, quer dizer, longe o suficiente para ninguém chatear e perto o suficiente pra uma gajo ir ao restaurante. (25 anos, artista, sexo masculino), idem, p. 137

 

As viagens constituem não apenas um domínio de afirmação juvenil como, por outro lado, esse domínio é utilizado para a realização de aspirações que para as gerações adultas só se concretizam a partir de poupanças conseguidas à custa do trabalho.

Alguns jovens que viajaram pela Europa com o sistema inter-rail acentuaram-me esse carácter difuso do "viajar pela Europa". Ao adquirirem o bilhete inter-rail não tinham em mente visitar um país concreto, mas usufruir integralmente do sistema de mobilidade. idem, p. 137

 


sinto-me ok, pá!
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Sábado, 31.12.11

 

Lá chegaremos aos finais de Janeiro e Fevereiro, altura em que a histeria colectiva explodirá de vez quando confrontada com uma realidade ainda pior.

Como "alguém" dizia: Que 2012 seja uma desculpa para irmos mais longe e ousarmos arriscar na Vida.

Ou ainda: Que a austeridade seja uma escolha.

Caaaalma, lá chegaremos. ♪

 

Neste punhado de horas, só me apetece abraçar o que me rodeia, empanturrar-me e por fim, amachucar umas quantas panelas e tampas.

 

Depois, é levantar o nariz e arregassar as mangas!

2012 vem em pesadas passadas e extremamente rabugento!

Que venha ele! Vá! Coragem!

.


sinto-me
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Quarta-feira, 28.12.11

 

 

Estará Pedro Calvete a referir-se aos vampiros no (ex-)IPPAR?

Virá também mencionada a Torre das Águias? Talvez tal explique os montículos de aves mortas, que dão pelo joelho e a restante podridão existente naquele local.

 


sinto-me haja pachorra...
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Segunda-feira, 26.12.11

"- Uma ova! - disse ele - Qualquer pessoa que acredite que o Pai Natal existe, acredita que uma mula é o mesmo que um cavalo. - Esta discussão teve lugar na praça do tribunal. Eu disse: - O Pai Natal existe porque o que ele faz é vontade de Deus e tudo o que é vontade de Deus é verdade."

in CAPOTE, Truman, "Um Natal", Lisboa, Difel, 1983, p. 16

 


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Domingo, 25.12.11


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# às 17:05 | link do post | comentar

Sexta-feira, 16.12.11

“(...) a publicidade empresarial estimula os indivíduos a atirarem-se para a prensa do consumo de mercadorias. Os trabalhadores são transformados em consumidores, que produzem para consumir. As mulheres, que são os alvos principais da publicidade, são estimuladas a acreditar que fazer compras é o seu trabalho e o seu modo de vida.” in KEANE, John, “A Democracia e os Media”, Lisboa, Temas & debates, 2002, p. 90.

 

“Às vezes, os publicitários contam histórias repletas de princípios sexistas, homofóbicos, nacionalistas, racistas ou outros; (...)”
“Mesmo assim, os anúncios falham o alvo ou “excedem-se”. Em geral os anúncios não comunicam porque o público a que actualmente se dirigem é muito diferente do público-alvo.” Idem, p. 91

  

 

Depois dos sucessivos aberrantes anúncios do serviço Internet Sapo onde o seu “pacote” era enaltecido, eis que chega a Zon com a sua brejeira mensagem1 de “boa”.


Esta brejeirice que se confunde com o ordinário (tal é o seu limiar difuso) e que tomou de assalto as mentes publicitárias2, a meu ver, incorre o risco de colar um estigma nestas empresas que não se coaduna com a sua orientação para a inovação, modernidade, cosmopolitismo e qualidade - ou isso, ou a percepção que tenho destas duas entidades está completamente errada.

 

Se a Worten recorre à imagem da clientela residente nas periferias das capitais (cariz suburbano) que vai de fato-de-treino encher os hipers e cc’s aos fins-de-semana (o boneco “eu é que não sou parvo”, também ele se apresenta com este uniforme de fim-de-semana), parece-me que a Sapo e a Zon pode perigosamente começar a estar identificada com este fenómeno.

1o público alvo será (uma vez mais) o masculino, pouco tecnológico.

2seguindo a lógica, poderia agora fazer um juízo sexista e especulador quanto às suas características e "capacidades", mas resvalaria para a conversa de café.


sinto-me
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Quinta-feira, 15.12.11

 

Depois de "empreendedorismo" começar a estar na boca do mundo, na cinzenta selva dominada pelas tribos Económica e Financeira, começa a ser audível um novo murmurinho com o selo de "Cultura".

 

Gestão Cultural XXI: o nome transparente, é só mesmo para despistar.

 

"E o público zero continua sem nada perceber!"

sinto-me
música "The Dragon Boy"
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# às 20:30 | link do post | comentar

Terça-feira, 13.12.11

"Na hermenêutica de Gadamer trata-se fundamentalmente de compreender o que nos acontece, como sujeitos do mundo."

in Maria Teresa Cruz, “Arte e Experiência Estética”, AAVV, “Percepção Estética e Públicos da Cultura”, Lisboa, ACARTE - Fundação Calouste Gulbenkian, 1992, p. 56.

 

Há quem diga que as conversas são como os tremoços. Mas não somente as conversas...

Hermenêutica? Porque carga de água este Gadamer é chamado agora ao barulho? Argh!

 

"O preconceito é, pois, um factor positivo e não negativo. Esta reabilitação do preconceito e do carácter "preconceituoso" da compreensão (o círculo hermenêutico de Heidegger) levou Gadamer a criticar o Iluminismo, que, ao sonhar com um conhecimento totalmente desinteressado, conduziu ao moderno "preconceito contra o preconceito" e, portanto, à desvalorização do preconceito, da tradição e da autoridade vistos conjuntamente como o oposto da Razão. (...)"

 

"Para Gadamer, os preconceitos criativos, que se opõem aos preconceitos efémeros e deformadores, são os que surgem da tradição e que nos colocam em contacto com a tradição. A autoridade da própria tradição, ligada à nossa auto-reflexão permanente, determina quais dos nossos preconceitos são legítimos, e quais dos nossos preconceitos não são legítimos. Por conseguinte, os preconceitos não constituem obstáculos à verdadeira compreensão do mundo, mas possibilitam o seu conhecimento, retirando do texto ou do fragmento de realidade tudo aquilo que tem apenas uma significação passageira e efémera. (...)"

In CyberCultura

Que linda estou, a patinar...

 

 

"A Hermenêutica, que na sua fase pré-filosófica servia não interesses puramente cognitivos mas prático-normativos, era uma forma de compreensão suscitada por motivos concretos de autocompreensão, orientação e relacionação no mundo reconcilia-se a partir de agora com a lógica e metodologia da ciência anónima e universal."

in Maria Luísa Portocarrero F. Silva, "Retórica e apropriação na Hermenêutica de Gadamer", "Revista Filosófica de Coimbra", n.º 5 - vol. 3, 1994, p.98

 

"E toda esta evolução da Hermenêutica pautada pelo critério da repetibilidade do moderno conceito de experiência, tem importantes consequências: (...)", submetem-se à "(...) estrita disciplina do ideal metódico da época moderna (...)", em detrimento do romantismo e historicismo. Idem, p.101

 

(A experiência) - "cultivada não por desejo de saber ou ânsia de poder, mas no "modo humano de ser, com outros, a acção prática, regulada pela facticidade das convenções, valores e costumes comuns (ethos) compreendidos e compartilhados por todos - como o horizonte que permite a cada um escolher e decidir não arbitrariamente mas a partir do que realmente o vincula ao outro.Idem, p.101

Ah, *suspiro*, já percebi, já percebi.

Novamente no carreiro...

 

Tremo ao imaginar os futuros e-books, pejados de links como complemento(?): afogamento em informação, terá todo um novo sentido.

 

Informação adicional:

- Esbozos sobre la hermenéutica de Gadamer

 

 


sinto-me
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# às 16:55 | link do post | comentar

Serigrafia @ Barça.

 

Parece-me, no entanto, que a maior parte das análises do gosto e do juízo estético, mais ou menos formais, e filosóficas, ou mais ou menos sociológicas, se convertem facilmente em análises do problema do valor, o qual exprime sempre, no fundo, o investimento na percepção de axiologias ou formas de valoração previamente existentes numa cultura.”

in Maria Teresa Cruz, “Arte e Experiência Estética”, AAVV, “Percepção Estética e Públicos da Cultura”, Lisboa, ACARTE - Fundação Calouste Gulbenkian, 1992, p. 53.

 

Viva! Viva!

Finalmente terreno mais firme depois de uma jornada em pantanosos terrenos e pior do que isso... em círculos e sem indicação do que pretendia/ procurava.

 

Sabia (alguma esperança...) que todos aqueles discursos sobre o enaltecimento da arte e glorificação da sua “elitérrima” estética tinham um propósito para neles ter tropeçado.

 


sinto-me que encontrei um trilho
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# às 13:57 | link do post | comentar

Terça-feira, 06.12.11

"Note-se ainda que a iniciativa do convite para a cama parte da heroína, o que confirma vários outros textos na sugestão de que ela não é totalmente inocente."

in SILVA, Francisco Vaz da, "Capuchinho Vermelho, Ontem e Hoje", s.l., Círculo de Leitores, 2011, p. 107


Mais do que uma colectânea de versões sobre o conto d'O Capuchinho Vermelho (O Capucho Vermeho/ O Conto da Avó/ A Menina e o Lobo/ A Ogra/ Tio Lobo, entre outros), Francisco Vaz da Silva, oferece-nos as pistas há muito recolhidas, sobre o surgimento e consequente evolução, desde o longínquo século XVI ao XX. Algumas pontes entre os países europeus (Sul, Centro e Leste) e duas referências ao oriente (Tia-Avó Tigre/ Florbela e o Urso).

Os contos são passados entre a população como uma lição de vida dos mais velhos transmitida às meninas pastoras (dos 7 aos 12 anos) que calcorreavam os montes de outrora. Esta lição, de essência tenebrosa, em algumas tradições eram de essência pejada de detalhes que nos nossos dias seriam considerados escandalosamente macabros para a faixa etária a que se destinavam.

O enfoque do tema em Portugal é muito engraçado, demonstrando os brandos costumes a nós atribuídos (vide caso em "Dicionário Infernal", Collin de PLANCY).

 


Esta antologia de F.Silva, reúne também a "Companhia dos Lobos" de Angela Carter, dois contos de Roald Dahl(!!) e um hilariante conto satírico de James Finn Garner (vide "Contos de Fadas Politicamente Correctos" para as variantes mais estrambólicas).

"Capuchinho Vermelho disse: "Acho a sua observação sexista extremamente ofensiva, mas vou ignorá-la devido ao seu tradicional estatuto de excluído da sociedade, a pressão do qual o levou a desenvolver a sua própria - inteiramente válida - mundividência. Agora, se me der licença, tenho de continuar o meu caminho." idem, p. 142.

De notar a bibliografia que o autor refere no fim de cada capítulo, para os que se interessam por esta temática: a tradição oral e o folclore.


sinto-me
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